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Literatura

Para que serve a literatura?

Kaio Serrate
Escrito por Kaio Serrate em 26 de abril de 2021
Para que serve a literatura?
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Eu gosto de ler desde criança e a escola não tem qualquer participação nisso. Percebi ainda menino que os livros despertavam emoções e me faziam viver experiências distantes da minha realidade. A literatura me ensinava sobre a vida.

Porque eu já gostava de ler, eu gostava das aulas de literatura do colégio. Não o contrário.

Há uma inversão de valores no estudo formal de literatura. O estudante aprende sobre a história da literatura, sobre as características dos gêneros literários e sobre as interpretações de algum crítico à respeito das obras. No final desse calvário, talvez leia uma ou outra obra completa.

Uma realidade que mais afasta do que aproxima os jovens dos livros.

A introdução à literatura deveria acontecer, sobretudo, pela leitura de grandes textos literários e não pelo que diz a teoria ou a crítica.

A força de uma narrativa literária está na emoção e no encantamento que ela é capaz de produzir em quem lê. Todo resto é secundário.

Uma obra literária, diferente de um texto acadêmico, não precisa confirmar uma hipótese ou impor uma tese.

Os jovens tendem a ser contadores de histórias natos; criativos que são obrigados a ler uma obra literária e se afastar dela para comentar sobre questões secundárias. Quanta gente passa pela vida sem saber que a Ilíada é uma grande aventura ou que os contos russos do século XIX tratam de temas atemporais em uma linguagem moderna ainda nos dias atuais.

É assim que muita gente se afasta dos livros e jamais entenderá para que serve a literatura.

Grandes escritores podem usar a ficção para provocar nossa interpretação simbólica do mundo. Não precisam convencer nem impor suas certezas, mas podem provocar no leitor o desejo de que ele próprio formule novas interpretações da realidade. 

A literatura nos ajuda a perceber a beleza e as verdades humanas, ao mesmo tempo em que nos dá elementos para ordenar os acontecimentos que chamamos de vida.

Aprendemos mais sobre a natureza humana e sobre nossas próprias emoções a partir das narrativas literárias. Experimentamos convicções opostas às nossas e, como consequência, somos capazes de construir melhores relacionamentos.

Pode ser por causa de uma trama cheia de reviravoltas, da intensidade de um conflito ou, em grande parte das vezes, pela força de um personagem. Alguns livros se tornam inesquecíveis porque ajudam a formar nossa personalidade.

Ninguém passa impunemente pelo que escreveu Dostoiévski, Machado de Assis ou Ernest Hemingway. Está enganado quem não enxerga transcendência em Nelson Rodrigues e Rubem Braga. Ambos publicaram, por anos a fio, sua literatura nos jornais e foram lidos por brasileiros de toda sorte.

O saber contido nos livros não está restrito aos críticos e aos teóricos. O leitor comum, como eu e você, mantém as grandes histórias vivas. Nós, as criaturas vulgares, educamos nosso imaginário e libertamos nosso pensamento a partir dos autores que mergulharam nas profundezas da vida para tramar suas narrativas.

Os clássicos só se tornaram clássicos, pois iluminaram e continuarão iluminando a vida de muitos.

Aprendemos com os escritores a fazer melhores perguntas.

A literatura nos ajuda a viver melhor.