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Literatura

O velho e o mar - Ernest Hemingway

Kaio Serrate
Escrito por Kaio Serrate em 6 de março de 2021
O velho e o mar - Ernest Hemingway
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“Eu nunca tinha sido derrotado e não sabia como era fácil. E o que me venceu? Nada, fui longe demais”.

O velho e o mar é a última grande obra de ficção de Ernest Hemingway publicada em vida. Um grande exemplo de sua escrita concisa, direta e profunda.

Aqui o leitor encontrará um autor maduro e com seu estilo consolidado.

É mais um daqueles excelentes livros que podem servir como porta de entrada para a obra de um autor clássico.

Gabriel García Márquez disse certa vez que O velho e o mar é uma história sobre a inutilidade da vitória. Ele está certo, mas não é só isso.

Um pouco mais longo que um conto, a narrativa revela a capacidade de Hemingway adicionar camadas a uma trama que poderia ser considerada banal em uma leitura mais desatenta.

Hemingway viveu em Cuba por mais de vinte anos, entre 1939 e 1960. Nesse período foi dono de um barco chamado Pilar, dedicou-se à pesca nos mares do Caribe, em especial  e conviveu intensamente com tipos que certamente inspiraram os personagens da narrativa.

O Velho e o mar é fruto deste período e uma espécie de redenção literária do autor que havia mais de uma década não publicava nada que fosse bem recebido pelo público ou considerado relevante pelos críticos. Quando terminou de escrever a história, Hemingway enviou um bilhete para seu editor em que dizia: “eu sei que isso é o melhor que posso escrever na minha vida inteira”. O livro narra a história de um velho pescador que sai ao mar novamente, após 84 dias sem conseguir pescar um único peixe, para viver o capítulo derradeiro de uma vida dedicada ao seu ofício.

Nessa jornada, o pescador viverá um duelo de três dias contra um espadarte descomunal de aproximadamente setecentos quilos em mar aberto. As ações são narradas com uma riqueza de detalhes possível apenas àqueles que mergulharam profundamente na cultura dos pescadores do mar do Caribe e servem como metáfora para a eterna luta do homem para vencer a natureza e suas próprias limitações.

Embora o duelo contra o peixe gigante seja episódio central da trama, ele é apenas uma das camadas da obra.

Santiago, o protagonista da história, é um homem que convive com a solidão, com suas perdas e com uma vida precária sem perder a dignidade. Um tipo raro nos dias atuais.

Não há o que lamentar, é só a vida como tinha de ser.

Na aridez de sua vida miserável ainda há espaço para o lúdico nas notícias sobre baseball que Santiago busca em jornais velhos. O idoso é fã dos Yankees e da estrela do time à época, Joe DiMaggio. Esse é um contraponto interessante.

A relação de amizade entre o ancião e o jovem Manolin perpassa toda história e é outro dos pontos altos da narrativa. O garoto costumava trabalhar como ajudante de Santiago, porém seus pais obrigam-no a trabalhar para outra embarcação quando percebem que o velho está há muitas semanas sem pescar um único peixe. O fato não abala a relação o companheirismo entre os dois. O velho é o mentor clássico, que transmite o que aprendeu com suas vivências para alguém de uma geração mais nova. Já o garoto cuida do ancião de maneira verdadeira e desinteressada. Uma relação tocante, descrita a partir dos pensamentos e dos diálogos entre os personagens.

Existem ainda os episódios narrados no retorno à terra firme. Em meio aos acontecimentos intensos que frustram as expectativas iniciais do protagonista, Santiago reflete sobre a simbiose entre homem e natureza, sobre a velhice e sobre a finitude da vida.

Há também a reconquista do respeito dos demais habitantes da comunidade, que percebem a dimensão do feito solitário de Santiago quando vislumbram a imensa carcaça do peixe atada ao barco ancorado no cais.

O velho e o mar é, sobretudo, uma história sobre legado. Sobre entender do que somos feitos quando, após nossas batalhas, chegamos aos últimos degraus da vida.

Após a publicação do livro, em 1952, Hemingway foi agraciado com o Prêmio Pulitzer e com o Nobel de Literatura. Ambas as comissões julgadoras ressaltaram a importância de O velho e o mar para a obra do autor.

Quer aprender valiosas lições sobre escrever de maneira econômica e contundente, em que a linguagem simples não compromete a profundidade e o significado da narrativa?

Leia O velho e o mar agora.

Uma das frases mais citadas de Ernest Hemingway está nessa obra e é uma ótima forma de fechar este breve comentário sobre o livro:

“Um homem pode ser destruído, porém não derrotado”.

Adaptações para o cinema

A primeira adaptação do clássico de Hemingway para o cinema aconteceu em 1958. O filme estrelado por Spencer Tracy ganhou um Globo de Ouro (melhor ator para Tracy) e foi indicado ao Oscar em três categorias (melhor ator, melhor fotografia e melhor trilha sonora, levando a estatueta na última).

No ano 2000, The old man and the sea, dirigido por Alexander Petrov, ganhou o Oscar de melhor curta animado. 

O filme tem pouco mais de 20 minutos de duração e demorou quase dois anos para ser produzido, pois Petrov pintou em óleo sobre vidro e fotografou cada um dos 29 mil frames que compõem a animação.

Uma obra esteticamente belíssima.

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