Este site usa cookies e tecnologias afins que nos ajudam a oferecer uma melhor experiência. Ao clicar no botão "Aceitar" ou continuar sua navegação você concorda com o uso de cookies.

Aceitar

Escrita Criativa

Era uma vez, a maior invenção da humanidade

Kaio Serrate
Escrito por Kaio Serrate em 2 de junho de 2021
Era uma vez, a maior invenção da humanidade
Não perca mais nada

Assine a newsletter "Dedo de Prosa" e receba conteúdos exclusivos

A maior parte das pessoas conta, ouve, escreve e lê histórias diariamente. As narrativas definem a nossa existência e é impossível fugir disso. Filósofos, biólogos, antropólogos e historiadores atestam que gostar de contar e escutar histórias é um comportamento ancestral da humanidade.

Foi por meio das narrativas que a nossa espécie passou a vivenciar todo tipo de situação e aprender com aquilo que ouvia. Transmitimos conhecimento, comportamentos e emoções por meio dos relatos.

Nossos ancestrais dominaram o fogo e aumentaram a segurança da tribo, espantando os predadores à noite. O fogo permitiu cozinhar os alimentos, aumentando a diversidade da dieta humana e o tamanho do nosso cérebro. A luz do fogo também alongou o dia e permitiu que as pessoas compartilhassem experiências em volta da fogueira. Além de caçar e coletar alimentos, as pessoas conversavam em volta da fogueira em volta da fogueira. Um ritual que desenvolveu nossa imaginação, consolidou aprendizados e fortaleceu a identidade da tribo.

Os avanços recentes da neurociência demonstraram, por exemplo, que a substância química que nos faz prestar atenção em um interlocutor é o cortisol e que a ocitocina nos faz sentir empatia por um personagem. Sabemos também que estruturas narrativas clássicas ativam certas reações químicas em nosso organismo.

O best-seller Sapiens, escrito pelo historiador israelense Yuval Noah Harari, parte de um questionamento interessante: o que fez o ser humano prosperar como espécie e dominar o planeta?

Não se trata de nossa força física, afinal somos fracos em comparação a milhares de outras espécies de animais, não se trata do nosso polegar opositor, tão útil para o manejo de ferramentas, nem tampouco do tamanho do nosso cérebro. O fator determinante, na visão de Harari, foi nossa capacidade de conectar subjetividades por meio da ficção.

Estima-se que o surgimento de novas formas de pensar e se comunicar aconteceu apenas entre 70 e 30 mil atrás. O autor afirma que esse período constitui a Revolução Cognitiva.

Sim, foi o surgimento da ficção que nos fez senhores da natureza.

Nossa capacidade de criar mitos e de compartilhar conhecimentos através das narrativas ficcionais permitiu a cooperação entre populações humanas cada vez mais numerosas e desencadeou a inovação contínua do comportamento coletivo. O homo sapiens é capaz de cooperar de maneiras extremamente versáteis com um número incontável de estranhos.

A colaboração nasce a partir das realidades imaginadas.

Os dois principais componentes do que chamamos de cultura são: a enorme diversidade de realidades imaginadas que o ser humano é capaz de criar e os múltiplos padrões de comportamento que resultam dessas realidades imaginados.

Histórias são a maior e mais importante tecnologia à disposição de um indivíduo.

Conteúdo em vídeo